IMG_7123A Cáritas de Santa Catarina esteve presente na 17ª Assembleia Geral Ordinária da Cáritas Brasileira realizada nos dias 04 a 06 de dezembro em Igarassu, região metropolitana de Recife/PE. Foram 13 pessoas representando 8 entidades-membro e o secretariado regional.

A assembléia de Igarassu acolheu o pedido do Cáritas de Santa Catarina para filiação de novas entidades: Cáritas Diocesana de rio do Sul, Cáritas Diocesana de Caçador e Ação Social Diocesana (ASDI) de Chapecó que receberam na noite do dia 04 a diplomação oficial entregue pela diretoria da Cáritas Brasileira.

Abaixo segue a carta da 17ª Assembleia Geral Ordinária da Cáritas Brasileira.

CÁRITAS BRASILEIRA

CARTA DA XVII ASSEMBLÉIA

Igarassu, Arquidiocese de Olinda e Recife – PE

04 a 06 de dezembro de 2009

É graça divina começar bem.

Graça maior é persistir na caminhada certa.

Mas a graça das graças é não desistir nunca (Helder Câmara)

Inspiradas no tema “Com D. Helder, profecia e construção do Brasil que queremos”, as 259 pessoas, representantes de 153 entidades-membro, 12 regionais, Secretariado e Diretoria Nacional, tornam pública a presente carta.

Dom Helder é, para a Cáritas, seu fundador e um testemunho vivo de que, por maiores que sejam as agressões à vida, a última palavra não será da morte e nem da injustiça. Deus está comprometido com a causa dos empobrecidos e Ele é a fonte segura da esperança da vitória da vida e da justiça.

Inspirados em D. Helder, queremos que nossa homenagem na celebração do centenário de seu nascimento, seja o aprofundamento da denúncia de que o sistema econômico capitalista globalizado continua gerando, entre nós e em todo o mundo, ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais jogados na miséria e sem alternativas de vida. Que também seja a renovação dos seguintes compromissos:

– Assumir como suas “as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias das pessoas de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem” (Gaudium et Spes – Vat. II), enfrentando a injustiça, a exploração, a violência, a discriminação e todas as formas de agressão à vida humana e à Terra.

– Intensificar a presença solidária junto às pessoas injustiçadas e empobrecidas, reconhecendo sempre seu protagonismo em todas as iniciativas que têm como objetivo a criação de melhores condições de vida e a construção de um projeto popular de Brasil.

– Reconhecer e promover os valores presentes na vida dos povos e comunidades tradicionais, em especial a sua relação amorosa com a Terra, empenhando-se para que o projeto popular de Brasil tenha como um de seus fundamentos a defesa da Terra como mãe da vida.

– Participar ativamente do Plebiscito Popular sobre o limite máximo da propriedade da terra, promovido pelo Fórum Nacional de Reforma Agrária e Justiça no Campo e assumido pela Campanha da Fraternidade Ecumênica – Fraternidade e Economia – como uma ação prioritária.

– Valorizar as iniciativas populares que vão construindo um desenvolvimento integral e holístico, centrado no bom-viver de todas as pessoas, comunidades e povos, com alimentos sadios, água e ar puros, com um ambiente equilibrado, favorável a todas as formas de vida.

– Empenhar-se, junto com a população urbana, na busca de formas de superação dos problemas que afetam sua existência, de modo especial com um esforço por interpretar as linguagens que expressam o seu modo de viver, gerando diversificadas formas de cooperação e solidariedade na organização do trabalho e geração de renda, tendo como fundamento seu direito de participar e de usufruir de tudo o que a cidade pode oferecer de qualidade de vida.

– Contribuir para que o projeto do Brasil que queremos assuma a democracia participativa como um valor presente em todo o processo de sua construção e conquista.

– Reforçar, a partir de práticas de relações igualitárias de gênero, as lutas das mulheres que objetivam a conquista de igualdade real de direitos em todas as dimensões da vida, desde as relações domésticas, de trabalho e de presença nos espaços de decisão.

– Reconhecer e valorizar o protagonismo e a contribuição específica das juventudes, com sua percepção crítica da realidade e sua criatividade na construção do projeto do Brasil que queremos.

– Reforçar o processo de julgamento popular do Judiciário iniciado no Maranhão e promover atividades semelhantes em outras regiões do país, criando condições para que, no projeto de Brasil que queremos, esta instituição pública seja verdadeiramente democratizada, conte com controle da cidadania e esteja efetivamente a serviço dos direitos de todas as pessoas, comunidades e povos.

– Contribuir, a partir das articulações internacionais da Cáritas, no avanço das iniciativas em favor da integração dos povos latino-americanos, tornando possível o intercâmbio cultural, a complementaridade econômica, a troca de experiências no campo da política e da geração solidária de conhecimentos científicos que ajudem a enfrentar em conjunto os efeitos sociais e ecológicos das mudanças climáticas decorrentes do aquecimento do Planeta, causado pelo atual modelo de desenvolvimento.

– Testemunhar, pela prática, a confiança na força da organização e das iniciativas populares na construção do novo modelo de desenvolvimento humano e ecológico, tendo presente que as grandes mudanças não acontecem a partir de ruidosos espetáculos, mas através de processos silenciosos de transformação, a partir das raízes da convivência entre as pessoas e com a Terra.

– Continuar incentivando diversificadas iniciativas de economia solidária como parte do caminho para um desenvolvimento humano que contemple todas as dimensões da vida, que respeite e promova a convivência com cada bioma, contribuindo na geração de alternativas que dão sustentação ao projeto popular de Brasil que queremos.

– Cultivar uma espiritualidade que seja plural e libertadora, que leve ao restabelecimento e aprofundamento das relações entre as pessoas, com os demais seres vivos, com a Terra e com o Transcendente.

– Contribuir para que o conjunto da Igreja, bebendo das fontes do cristianismo, resgate sua voz profética e a dimensão do discipulado.

Deus disse: “Eu vi muito bem a miséria do meu povo… Ouvi o seu clamor… e conheço os seus sofrimentos. Por isso, desci para libertá-lo…” (Ex 3,7-8). Contamos com a sua bênção para sermos fiéis aos compromissos assumidos nesta Assembléia.