Com a presença de representantes de 13 grupos de Economia Solidária e a assessoria do economista Mairon Edegar Brandes, especialista em Economia Solidária, aconteceu em Chapecó, no Centro Diocesano de Formação, mais uma etapa de formação em Viabilidade Econômica. Esta etapa aprofundou o Plano de Negócios, com foco em Contabilidade básica e Plano Financeiro, como parte do Projeto Fortalecendo Experiências de Economia Solidária, realizado pela Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina, com patrocínio da Petrobras.

Em uma sociedade de livre comércio em que se coloca o lucro em primeiro ligar, pensar Economia Solidária como uma nova forma de produção, de consumo e de distribuição de riquezas e na valorização da pessoa e não do capital, é um grande desafio. É necessário quebrar preconceitos, costumes e vícios do capitalismo tão enraizados no ser humano.

Nesta nova visão e desafio econômico, preço justo não significa produto e ou serviços mais baratos. Aqui o trabalho deve ser entendido como um meio de libertação e a democratização da economia como alternativa frente as relações de trabalho assalariado do sistema capitalista. A diferença é a forma de distribuição e a ação cooperada. A partir disso como organizar as contas, a contabilidade, a dinâmica do empreendimento solidário dentro de uma nova visão da economia a serviço da vida e não vidas a disposição da economia?

Esta 4ª etapa da formação confirmou que os Empreendimentos de Economia Solidária possui uma finalidade multidimensional, isto é, envolve a dimensão social, econômica, política, ecológica e cultural. Além da visão econômica de geração de trabalho e renda, estas experiências de Economia Solidária, inseridas na sociedade, tem o desafio da transparência de sua gestão das mais diferentes atividades e, em especial, a transparência de suas contas.

É nesta transparência das contas que se faz o exercício de visualizar todo o empreendimento, seu Plano de Negócio, sua estruturação e sua solidez. É a análise de viabilidade econômica. Temos aqui “um instrumento que tem como objetivo sistematizar informações sobre as atividades do EES no sentido de diminuir os erros e aproveitar as oportunidades…, com a função de acertar/corrigir algumas ações buscando maior eficiência sobre a atividade econômica (produção, investimentos, comercialização)”, destaca Mairon. É a eficiência da responsabilidade de cada um dos envolvidos ao aceitar em participar de um EES.

Entre tantas questões levantadas o trabalho da assessoria, nesta etapa foi destacar como a atividade de EES vai se estruturar e a partir dela como fazer as contas – a contabilidade. Algumas questões importantes a destacar:

  • O que produzir e comercializar?
  • Quanto produzir e comercializar?
  • Como produzir e comercializar?
  • Para quem produzir e comercializar?

Para o Plano Financeiro e Estudo da viabilidade é necessário fazer as contas…

  • Livro Caixa; Controle de conta bancária; Controle de contas a pagar; Controle de contas a receber; Controle de estoque; Demonstrativo de Resultados (Balancete mensal).

Com esta etapa do Curso despertou um maior interesse nos participantes para o fortalecimento de uma Nova Economia e de uma Nova alternativa de vida. Como ensina o provérbio Africano: “Muita gente pequena, fazendo coisas pequenas, em muitos lugares pequenos, conseguem mudanças extraordinárias”.

Por Jaime Bianchi, membro da Ação Social Diocesana de Chapecó e Assessor do Deputado Estadual Padre Pedro Baldissera com edição de Roque A. Favarin.