Realizado entre os dias 2 e 7 de maio, o Intercâmbio Territorialidade e Desenvolvimento no Semiárido Baiano, reuniu cerca de 60 agentes da Cáritas Brasileira de todo Brasil. Divididos em quatro grupos, os participantes visitaram 16 experiências nos territórios de Sisal, Piemonte da Diamantina e Piemonte Norte do Itapicuru.

Quatro eixos de reflexão permearam todo o processo de troca de experiências entre agentes e comunidades. Foram eles: terra, água, formação e produção, comercialização e finanças solidárias. Durante o percurso, que para alguns grupos significou percorrer mais de 550 quilômetros entre uma comunidade e outra em asfalto e estrada de chão, foram muitas descobertas de um semiárido nordestino vivo e repleto de experiências vencedoras na luta, na resistência e na confirmação de que um desenvolvimento sustentável, pautado nas raízes da economia solidária, é possível.

Para Maria Araújo Oliveira, uma alegre senhora que representa a Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes), a motivação e a firmeza que o intercâmbio proporcionou para sua comunidade foi fundamental. “Vocês deixam a gente muito forte”, ressaltou Maria. Uma força que ela disse repassar para todos os grupos que tem contato na região que ainda enfrentam muitos problemas, como a dificuldade de escoamento da produção.

A Coopes atende dez municípios e é o ponto de referência para a venda de inúmeros produtos de mais de 200 associados. Mesmo com uma demanda de 40 toneladas de mel, 40 toneladas de biscoito e 20 toneladas de Licuri (um tipo de castanha que é base para a produção de muitos alimentos como farinha, doces e óleos, além de outros produtos como shampoo), a cooperativa, por meio do trabalho coletivo, segue em busca de novos compradores.

 

Uma realidade diferente de Carlos Alfredo, 56 anos e presidente da Associação da Fazenda Mandi, no município Antônio Gonçalves. Carlos contou que lá eles enfrentam a fúria do agronegócio com os grileiros, além do interesse das minerados pela região. Em uma área de 900 hectares vivem cerca de 50 famílias que vivem de forma coletiva e vivem da agricultura de subsistência. “Vendemos bode e boi para suprir algumas necessidades como quando precisamos comprar remédios”, salientou o camponês.

Também na luta pela terra, a jovem Rita de Cássia, 24 anos, do acampamento Terra Nossa do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), disse que este intercâmbio veio fortalecer junto ao movimento a proposta de desenvolvimento sustentável dentro do território camponês. “É garantirmos um território sem a manipulação política. Nós sabemos que quem garante a sustentabilidade do país são os pequenos agricultores. O que a Cáritas vem trabalhar aqui hoje é a unidade dos movimentos sociais, da produção e da diversidade camponesa.”

Franciele Silva Lemos tem 19 anos e vive na comunidade de Micaela, município de Caem. No enfrentamento da luta pela água, ela contou que nunca havia participado de intercâmbios e que foi muito interessante conhecer pessoas de outros estados do Brasil, mas mais importante ainda foi conhecer outras experiências em sua região. “Tinha muita coisa aqui que eu não conhecia. O Licuri, por exemplo, nem passava pela minha cabeça que dava para fazer tanta coisa com ele, farinha, shampoo, pimenta.” Outro momento que chamou a atenção da jovem foi a quantidade de jovens que teve a oportunidade de conhecer na Escola Família Agrícola de Jaboticaba. “São 200 jovens fazendo coisas da terra e que querem permanecer no campo. Esta troca de experiências e o acúmulo de novos conhecimentos foram fundamentais para mim”, destacou.

Abaixo a relação das experiências visitadas.

Eixo Terra

Assentamento Alagoinhas

Fundo de Pasto Serra da Várzea Comprida

Acampamento Terra Nossa

Acampamento Bela Conquista

 

Eixo Água

Comunidade do Amarante

Comunidade de Bezerros

Comunidade de Larginha

Assentamento Caiçara

Associação Regional Pró-Água (Arpa)

Comunidade Micaela

 

Eixo Formação

 

Escola Umbuzeiros

Escola Família Agrícola do Sertão (Efase)

Escola Família Agrícola de Jaboticaba (EFA)

Escola de Formação para Lideranças (Liderar)

Associação dos Animadores Leigos das Comunidades Eclesiais de Base

 

Eixo Produção, comercialização e finanças solidárias

 

Feira Orgânica Saberes e Sabores

Associação Comunitária de Lagoa do Saco (ACLS)

Grupo de Apicultores da Comunidade de Lagoa do Saco

Casa de Farinha Mecanizada da Comunidade de Lagoa do Saco e Região

Agroecologia / Policultivo

Paraíso das Polpas

Cooperativa de Produção da Região de Piemonte da Diamantina (Coopes)

 

Por Thays Puzzi, Assessora de Comunicação da Cáritas Brasileira.