Para o senegalês Mussa Mustafa, professor de inglês, que há quatro anos chegou ao Brasil em busca de uma vida nova, o Centro de Atendimento é uma possibilidade de intercambio cultural. O desejo dele é que não seja apenas um local para resolver problemas e sim um centro cultural.

Quem também está com uma grande expectativa é o casal de haitianos Roselande Denis, de 22 anos, e Ojenson Chery, de 35 anos, “o CRAI vai nos dar uma oportunidade de acreditar”, comentam. De acordo com Chery, que tem formação em manutenção de automóveis, desde que chegaram ao estado vem enfrentando grandes desafios para se colocar no mercado de trabalho. Ele espera que isso mude com o início dos serviços no Centro.

Entre as autoridades eclesiásticas presentes na solenidade de inauguração estava o Arcebispo de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck. Ele comentou que a questão da imigração é uma coisa mais que atual. Imigração é algo permanente. Há picos, mas é algo permanente. Nós devemos nos acostumar com isso e, com o Governo, acreditar em uma política de acolhida a essa população”, falou o arcebispo em seu discurso aos participantes.

O novo espaço inicia os trabalhos na próxima segunda-feira, dia 5, e será mantido nos próximos dois anos com recursos do Governo do Estado em parceria com a Ação Social Arquidiocesana (ASA). “A ASA vai realizar uma triagem e fazer o processo de encaminhamento e seleção para todas as regiões de SC, isso ligado ao banco de dados que nós temos com o próprio SINE, visando à qualificação dessas pessoas para o mercado de trabalho”, afirma o Secretário de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação de Santa Catarina, Valmir Francisco Comin. 

Desenvolver as políticas públicas

De acordo com Luciano Leite da Silva Filho, coordenador do CRAI, o objetivo de Centro de Referência é o atendimento do imigrante, por isso o local contará com uma equipe técnica qualificada para atender as demandas que forem surgindo. “O CRAI vai trabalhar a questão da integração das políticas públicas que dão acesso à saúde, educação, possibilitando ao imigrante ter uma renda e modificar o seu padrão de vida social”, ressalta Luciano. 

Expectativas

“Elevar a dignidade do migrante. Uma das exigências que sempre tínhamos, mas não conseguíamos era dar um atendimento, humano, acolhedor, serviçal e o espaço que nós tínhamos na Paróquia da Prainha impedia que o pessoal fosse bem atendido pessoalmente. O CRAI vem ao encontro de uma necessidade que é acolher bem o migrante para poder promover, proteger e integrar. E o que necessita o imigrante neste momento é a integração através do trabalho, da acolhida e da assistência documental em primeiro lugar”.  (Pe. Sérgio Olivo Geremia, Coordenador da Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Florianópolis).

“A idéia é dar uma seqüência ao trabalho que já é feito pela Pastoral do Migrante, só que com uma estrutura mais adequada, com atendimento mais humanizado e qualificado. Aqui no Centro de Referência vamos ter uma equipe mais ampla, onde vai ser possível atender o imigrante de uma forma mais rápida, eficaz e com encaminhamento mais qualificado da demanda dos imigrantes que chegam a Florianópolis. Hoje a Pastoral do Migrante atende em média 30 imigrantes diariamente. A expectativa é que esse número aumente porque existem muitas demandas que não são atendidas”. (Fernando Anísio Batista, Secretário Executivo da ASA) 

Sobre o espaço

Foi cogitado ser na rodoviária da Capital, mas de acordo com Valmir Comin, nas tratativas com o Deter não foi possível dar todo encaminhamento e por conta de todo o atraso para inauguração do novo serviço de assistência social escolheram o local atual.

O funcionamento do CRAI será de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 17h30, na Rua Tenente Silveira, 225, sala 01, Edifício Hércules, no Centro de Florianópolis, com início das atividades em 5 de fevereiro. O telefone para contato é (48) 3665-4322.

Por Assessoria de imprensa da Ação Social da Arquidiocese de Florianópolis