A parceria realizada entre a Kinder Not Hilfe (KNH), entidade da Alemanha e a Cáritas Diocesana de Criciúma possibilitou a realização de um projeto de emergências com atendimento imediato às famílias afetadas pelas enxurradas ocorridas em setembro de 2009 e também de oficinas formativas para prevenção. Para a Cáritas de Criciúma, o tempo agora é de semear sementes de mudança.

São mais de 300 famílias dos municípios de Araranguá (Praia da Caçamba), Balneário Arroio do Silva, Sombrio, Santa Rosa do Sul e São João do Sul, que estão participaram das atividades de formação. As oficinas são realizadas em três etapas em cada um dos municípios atingidos. O público principal são os adultos, no entanto, há grande participação de crianças que acompanham os pais. As equipes locais realizam um trabalho diferenciado com atividades lúdicas.

Como foram realizadas as oficinas

A primeira etapa tratou sobre as mudanças climáticas no sentido da prevenção. Nesse primeiro momento, foram partilhadas as experiências vivenciadas pelas famílias nos temporais fortes e a partir dessas situações, própria de cada local se trabalha com orientações, informações e cuidados: a atenção aos alertas que são feitos, a quem devem recorrer no momento de uma catástrofe, procurar comunicar aos vizinhos, os cuidados durante os temporais, o que se deve fazer e o que se deve evitar, após os acontecimentos a reconstrução, limpeza a solidariedade entre as famílias.

Oficina em São João do Sul

A prevenção é possível? É difícil impedir a “fúria” da natureza, mas é possível diminuir seus impactos, evitar maiores estragos e principalmente salvar vidas. Esse é o objetivo para o segundo momento nas oficinas. Tratar de cuidados simples que estão ao nosso alcance e que devem ser realizados como: identificar os locais de risco e suas causas e responsáveis, cuidados com o meio ambiente, com o desmatamento, com o lixo, higiene, saúde.

Na terceira etapa serão abordados temas como Economia Solidária, onde as famílias terão a oportunidade de conhecer diferentes experiências sobre Economia Popular Solidária. O objetivo é possibilitar a organização de projetos locais, a partir de algumas “sementes de mudança” que já dão sinais de vida neste chão. São alternativas que surgem como um clamor, das comunidades atingidas como: reconstrução de suas residências, auto sustentabilidade na linha de iniciativas de geração de renda, recuperação do meio ambiente, reciclagem e coleta seletiva de lixo, hortas comunitárias, sabão com óleo cozinha usado, espaços para capacitação profissional e principalmente o fortalecimento da comunidade local.

Oficina na Praia da Caçamba – Araranguá

“Acreditamos que as situações de emergência pelo qual passaram essas famílias e que acabaram possibilitando o surgimento novos caminhos, alimentam ainda seus sonhos de que outra sociedade é possível e são também as maiores motivações para continuarem a caminhada, mas com novos horizontes”, completa Neuza Mafra, secretária da Cáritas Diocesana de Criciúma.

Por Devaneide de Brida (Referente de Comunicação da Cáritas Diocesana de Criciúma.