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A cidade de Caçador, na região do Contestado, está se preparando para receber um dos maiores eventos de Economia Solidária de Santa Catarina. Realizada pela Cáritas Brasileira Regional SC, a Feira Estadual de Economia Solidária vai acontecer nos dias 7 e 8 de agosto e deve reunir cerca de 64 grupos de sete regiões do estado. São cooperativas, associações, grupos de mulheres e homens que prestam serviços, produzem alimentos agroecológicos e artesanais, panificados, bordados, artesanatos em geral – todos organizados com princípios de autogestão e cooperação, na perspectiva da geração de renda.

Os grupos, que virão das regiões de Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Lages, Rio do Sul, Tubarão, além de Caçador e arredores, são acompanhados pelo projeto Fortalecendo Experiências de Economia Solidária (FORTEES). Patrocinado pela Petrobras e realizado pela Cáritas, o FORTEES envolveu nos últimos dois anos, mais de mil pessoas em suas atividades de formação. Foram 21 oficinas, 56 etapas do curso de gestão e viabilidade econômica, além de sete intercâmbios e sete feiras de alcance regional.

No total, 96 grupos foram apoiados e receberam visitas periódicas de acompanhamento técnico de articuladores locais contratados pelo projeto. “A Feira vai ser um momento especial de encontro e troca entre os grupos da Economia Solidária em Santa Catarina, além de uma boa oportunidade de comercialização. O projeto FORTEES vai encerrar com chave de ouro, mostrando a força da Economia Solidária”, avalia a coordenadora do projeto Fabiana Gonçalves.

Durante os dois dias de Feira, o público que for em busca dos produtos da Economia Solidária, também vai poder participar de oficinas e rodas de conversa sobre o tema (ver programação em anexo). Diversas atrações culturais passarão pelo palco do evento, que terminará com uma tradicional mateada de Caçador – um encontro de gaiteiros que contam causos e interpretam canções regionais.

A importância das Feiras Regionais

Sobre experiência vivida nas feiras de caráter regional já realizadas pelo FORTEES, a articuladora da região de Florianópolis, Inês de Souza, afirma que elas representaram “não só um espaço mercadológico, mas um ambiente com caráter social de promoção das relações de identidade onde os participantes têm origens e culturas diferentes, mas ideais muito parecidos na forma de produzir e vender”.

Em Lages, a realização da Feira Regional abriu espaço para que novas feiras e  espaços de comercialização surgissem, relatam os integrantes do grupo de artesanato Retalhartes. “Foi uma forma de atingir nossos objetivos de levar para a comunidade os nossos produtos e poder vendê-los, e, por conta do sucesso da feira, recebemos encomendas para serem entregues nos próximos meses”, comemora a artesã Lucia Helena Lemos.

Mas, de acordo com a articuladora Inês, o principal legado das feiras é o aprendizado dos visitantes sobre o que é Economia Solidária. “Exercita-se na prática os princípios da economia solidária, evitando o desperdício de recursos, procurando agir de forma solidária e justa, sem exploração e incentivando os pequenos negócios. O visitante nem sempre compra, mas, ao percorrer o espaço, leva o sentimento de satisfação pela criatividade, pelo capricho e a diversidade dos produtos que encontrou”, conclui.

Seminário Estadual “Desafios e Perspectivas da Economia Solidária em Santa Catarina”

Na manhã da sexta-feira (7/8), dia de abertura da Feira Estadual de Economia Solidária, os grupos vão participar de um seminário na Câmara de Vereadores de Caçador, onde se reunirão com autoridades e parceiros para discutir políticas públicas de fomento à Economia Solidária no estado e entregar uma carta de reivindicações.

Essa carta é resultado de outra das atividades do projeto FORRTES. Trata-se de uma síntese das propostas elencadas pelos grupos, durante os intercâmbios regionais realizados em todo o estado, que agora será apresentada aos gestores públicos e parceiros da sociedade civil. A falta de locais adequados para a comercialização e a ausência de políticas públicas permanentes são apontados como principais desafios a serem superados.

“Estas propostas visam uma forma do fazer econômico onde os seres humanos sejam, de fato, a principal preocupação e, acima de tudo, definidores de todas as práticas que busquem a superação da economia dos mercados”, argumenta Fabiana.

Números da Economia Solidária em Santa Catarina

De acordo com o Atlas Digital da Economia Solidária, finalizado em 2013 pela Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), o estado tem 764 Empreendimentos de Economia Solidária (EES) que reúnem quase 140 mil pessoas. Dos EES, 432 são do meio rural, e 192 são urbanos, e 140 tem atuação tanto na cidade quanto no campo.

A Cáritas

A Cáritas Brasileira é uma organização da sociedade civil, de assistência social, sem fins lucrativos, com atuação em todo território nacional. É membro da rede Cáritas Internacional presente em 165 países,  e uma entidade de promoção e atuação social que trabalha “na defesa dos direitos humanos, da segurança alimentar e do desenvolvimento sustentável solidário, junto aos excluídos e excluídas em defesa da vida e na participação da construção solidária de uma sociedade justa, igualitária e plural”.

Ao longo de sua trajetória de mais de 50 anos, a Cáritas Brasileira, seus regionais e entidades-membro, acumulou experiências nas áreas de assistência social, direitos e controle Social, segurança alimentar e nutricional, emergências sociais e gestão de risco, Economia Solidária e na defesa de povos tradicionais.

Em Santa Catarina, a história da Cáritas começa em 1989, com o programa Miniprojetos Alternativos, que desenvolvia uma metodologia de apoio direto, através de Fundo Rotativo, a iniciativas comunitárias e projetos produtivos. Essa experiência possibilitou a criação de diversos Empreendimentos de Economia Solidária em SC.

Oficializada desde 2005, a Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina, tem atualmente nove entidades-membro, filiadas a Cáritas Brasileira, em Blumenau, Caçador, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Joinville, Lages, Rio do Sul e Tubarão.

A partir da atuação nas emergências das enchentes e deslizamentos no vale do Itajaí, em 2008; no oeste, meio-oeste, serra e no sul catarinense, em 2009; no alto vale do Rio Itajaí, em 2011, a Cáritas Regional se tornou referência em projetos de ajuda as populações atingidas.

Atualmente, a Cáritas também é gestora do Centro de Referência em Direitos Humanos, localizado em Florianópolis.

 

O QUE: Feira Estadual de Economia Solidária

QUANDO: 7 e 8 de agosto de 2015

ONDE: Parque Central José Rossi Adami, Caçador-SC.