O projeto “A luta das mulheres indígenas pela igualdade de direitos e qualidade de vida de seus povos” da Comissão de Organização de Mulheres Indígenas do Sul da Bahia (Comisulba) foi o vencedor do II Prêmio Odair Firmino de Solidariedade, que este ano trouxe como tema: “Mulher, Meio Ambiente e Desenvolvimento”.

Concorria com o projeto Comisulba mais duas experiências: “Começar de novo”, da Pastoral da Mulher Marginalizada de Belo Horizonte (MG), e o projeto “Grupo de produção rural da Serra do Gavião” do Piauí, ficando em segundo e terceiro lugar, respectivamente.

Todos os premiados receberam certificados, troféus e um prêmio em dinheiro no valor de R$ 10 mil para o primeiro lugar, R$ 5 mil para o segundo e R$ 3 mil para o terceiro colocado.

A Comisulba é formada por um grupo de mulheres indígenas dos povos Pataxós Hã-Hã-Hãe e Tupinambás. A indígena Yaranawy Pataxó Hã-Hã-Hãe, representante do povo Pataxó do sul da Bahia foi quem recebeu o Prêmio Odair Firmino de Solidariedade, entregue por dois agentes da Cáritas Brasileira Regional Nordeste III. A entrega do prêmio para a primeira colocada foi marcado por muita emoção.

Ao receber o prêmio Yaranawy Pataxó fez seus agradecimentos informando que levará para a sua aldeia a energia que recebeu durante todo o Congresso da Cáritas, que ocorreu em Passo Fundo (RS) de 9 a 12 de novembro, e se emocionou ao agradecer a Deus e a todos os seus irmãos Cáritas pela entrega do prêmio.

A luta das mulheres indígenas não se resume somente a uma questão de gênero, representa a luta de todo um povo que por anos foi e continua sofrendo a marginalização e a opressão dos seus direitos. Yaranawy Pataxó é irmã de Galdino Jesus dos Santos, assassinato no dia 20 de abril de 1997, por cinco rapazes de classe média em Brasília (DF) que atearam fogo no índio Pataxó enquanto dormia em uma parada de ônibus na Asa Sul, bairro nobre da capital Federal.

“Começar de Novo”, segundo lugar, é um dos projetos da Associação da Pastoral da Mulher Marginalizada (APMM). A associação tem como objetivo ajudar na emancipação e humanização das mulheres, em especial aquelas que ganham a vida com a prostituição. O trabalho integra fortalecimento da auto-estima, cidadania e conhecimento sobre questões sociais, gênero, saúde e trabalho. É uma proposta pedagógica que visa o diálogo com essas mulheres, partindo da realidade que elas vivenciam. O grupo é gerenciado por elas e, é um gerador de renda, inspirado na Economia Solidária.


Já a comunidade da Serra do Caju, terceira colocada, é formada por 130 famílias que conseguiram a concessão para viver naquela área há pouco tempo. Cada família recebeu três hectares, fruto de muitas lutas e conflitos com os fazendeiros. Em 1999, eles construíram uma casa de farinha e foi ali que tudo começou.  A comunidade possuí 200 pés de caju, e com o aprendizado adquirido em cursos de processamento do pendúculo do caju, oferecido pela Emater, é possível se aproveitar todo o produtos e não só a castanha como era inicialmente. O trabalho para o preparo da cajuína é coletivo e a atividade de produção gerou renda para os participantes, troca de conhecimento com outros grupos, através de feiras de Economia Solidária e melhorou a convivência entre as famílias da Serra do Gavião.


A entrega do II Prêmio Odair Firmino de Solidariedade ocorreu no dia 12 de novembro, como parte da programação do IV Congresso e XVIII Assembleia Nacional da Cáritas Brasileira.

Prêmio Odair Firmino

Lançado no ano passado pela Cáritas Brasileira, o Prêmio Odair Firmino de Solidariedade tem o objetivo de estimular ações de disseminação e divulgação, além de valorizar experiências de caráter coletivo que defendam e promovam os direitos humanos.

Ao final da premiação todos os presentes receberam a revista da edição 2011 com as 16 experiências pré-finalistas

Com o tema “Mulher, Meio Ambiente e Desenvolvimento”, a segunda edição do prêmio superou as expectativas da equipe organizadora. Com o aumento de mais de 100% no número de inscrições, o Prêmio Odair Firmino de Solidariedade se insere nacionalmente no universo das premiações.

“Para nós, definitivamente, o prêmio se inseriu neste universo e com um diferencial de publicizar experiências que falam da solidariedade de forma concreta, da vivência de grupos sociais, muitas vezes excluídos, como demonstrou a ganhadora do ano passado, o projeto Veredas Vivas. O Prêmio Odair Firmino traz dimensões da solidariedade que nos anima enquanto promotores desta ação”, ressaltou Luiz Claudio Mandela, um dos membros da coordenação do prêmio.

Equipe de Comunicação Cáritas Brasileira