A programação do último dia (14) do Seminário Internacional de Migrações e Refúgio – Caminhos para a Cultura do Encontro iniciou com a celebração do divino e a reflexão acerca da aproximação entre os povos a partir das relações interculturais e inter-religiosas

O pão foi o elemento trazido à mesa por migrantes africanas, acompanhado de hinos religiosos aos ancestrais, para ser partilhado com os participantes do evento. Padre Joachim Andrade, um dos celebrantes do momento, salientou que cada realidade cultural-religiosa se manifesta, considerando um dos sentidos, como o paladar. “A partir do pão, elaboramos relações íntimas. Comendo juntos, o divino cuida de todos e consegue encontrar seu lugar em nós”, disse.

prudence-225x300Nessa perspectiva da partilha, padre Joachim, além da necessidade de estreitamento de relações entre as pessoas, criando pontes no âmbito inter-religioso, destacou que os fenômenos migratórios sempre ocorreram, por diversos motivos, e provocaram o que hoje se costuma chamar de interculturalidade. “De fato, a diversidade é divina e os povos, por sua vez, sempre migraram e tentam encontrar seu lugar. E, para isso, criamos conceitos que querem significar esse movimento de colocar debaixo do mesmo teto as diversas culturas”, considerou.

Ainda sobre os fenômenos migratórios, a pastora Romi Bencker rememorou que o Brasil teve a escravidão como um dos principais pilares da economia. “A escravidão não pode ser resumida apenas ao trabalho forçado, ela é muito mais que isso. É a negação da humanidade e privou as pessoas da sua terra, dignidade, história, família e religiosidade”, afirmou. Bencker acredita que os diálogos  intercultural e inter-religioso é um caminho alternativo para cultura da paz e enfrentamento do capitalismo.  “ O Deus da diversidade nos dá esse direito. Ele se expressa nas mais diversas maneiras e comunica o que esse encontro de diversas culturas tem para nos trazer”, disse.

O cardeal Dom Antônio Tagle, presidente da Cáritas Internationalis e arcebispo de Manila, nas Filipinas, nesse campo dos diálogos entre manifestações culturais e religiosas distintas, trouxe a necessidade de desenvolver uma habilidade humana específica. “Existem diversas formas de inteligência. A intelectual vem com a ajuda da escola, a emocional é estimulada para lidarmos com desejos e pensamentos. Mas nós precisamos também da intercultural e inter-religiosa”, disse.

E, para que esse processo se constitua, Dom Tagle indicou três passos necessários. ”O primeiro passo é conhecer a própria cultura. A segunda é abrir-se, ter consciência e paciência para conhecer a do outro. E o terceiro é construir uma ponte entre a minha e a do outro. Eu espero e rezo para que a Igreja e outros espaços de fé estejam dispostos a fazer isso”, ressaltou.

ASSISTA O VÍDEO COMPLETO DA MESA PARTILHADA: DIÁLOGO INTERCULTURAL E INTER-RELIGIOSO

Texto: Morgana Damásio e Wagner Cesário

Fotos: Wagner Cesário e Francielle Oliveira

Rede de Comunicadores da Cáritas Brasileira