O assentamento Amarildo de Souza, hoje Comuna Amarildo, surgiu da organização popular e seus movimentos, na luta histórica por transformação social, mas que na questão imediata ergue a bandeira de Reforma Agraria Popular trazida pelo lema “terra, trabalho e teto”, uma necessidade cotidiana das populações de periferia. A terra compreendida como reprodutora de vida, capaz de garantir às pessoas a sua soberania alimentar, de dar condições fundamentais para o modo de produção do trabalho e renda, e ainda física e geograficamente a terra enquanto espaço de total harmonia com a natureza que proporcione às pessoas vida em abundância (Jo 10,10). São 50 famílias vivendo no assentamento da Reforma Agrária instituído oficialmente pelo INCRA (Instituto Nacional e Colonização e Reforma Agrária) numa área de 130 hectares de terra, localizado no município de Águas Mornas (SC), uma das três áreas que compõe a Comuna Amarildo Souza que tem como princípio ser coletivo, autossustentável e de produção agroecológica. Sofreu todo tipo de ataques de uma sociedade excludente, rompeu muitas cercas e lutaram, resistiram e conquistaram, não somente o direito a um teto, mas também, a terra e trabalho. São famílias oriundas da periferia de diversas regiões do Brasil, moradores de Florianópolis e região sem condições econômicas de iniciar seus próprios processos de auto sustento. A realidade em que vivem, hoje, é o resultado de uma ocupação de terras impactantes, que, em diversos setores da sociedade, despertou o valor da luta, da indignação contra injustiças e, principalmente, o da solidariedade.

Diante dessa realidade, muitas discussões surgiram em torno de ações concretas que podem ser realizadas no coletivo, algo que pudesse contribuir para a subsistência das famílias.

Inseridos no projeto FORTEES, atentos às diretrizes, e objetivos que o mesmo possui, decidiram pela construção de um galinheiro coletivo que pudesse trazer às famílias da Comuna o inicio da sua soberania alimentar, e ao mesmo tempo, trazendo em si a importância da vida, do alimento e o resgate do pensar como base para a consciência, entendida como fundamento de outros valores. Elaboraram o projeto e encaminharam para o Fundo Arquidiocesano de Solidariedade – FAS. O projeto foi aprovado pelo Conselho do Fundo que entende a importância dessa iniciativa que tem como objetivo geral, alimentar as 50 famílias da comuna e proporcionar uma melhor qualidade de vida para todos.

Inês Jalcira de Souza Nascimento

Articuladora Local