Os Amarildos completaram um ano de assentamento em Águas Mornas com boas notícias do que está por vir. A festa do último final de semana foi animada com a iminência da assinatura dos contratos das famílias assentadas com o INCRA para o recebimento de auxílio financeiro à construção das casas permanentes. Faz muito frio, principalmente durante a noite, nos 138 hectares de terra, cercados de montanhas e permeado por riachos e nascentes. A construção de casas de alvenaria será um alívio para os assentados, que resistem ainda em barracões improvisados com lona e madeira. A Comuna Amarildo de Souza também comemorou a perspectiva de chegada (finalmente!) da energia elétrica ao terreno, a partir de uma articulação com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, e a possibilidade encaminhada de começar a comercializar suas hortaliças excedentes para a merenda escolar do município.

Foi esse clima de alegria e de esperança no futuro que a Cáritas encontrou na Comuna na festa de aniversário de um ano. Os assentados começaram sua luta por uma terra para morar e produzir em dezembro de 2013, quando ocuparam um valorizado terreno no norte da Ilha de Santa Catarina. Depois de forçados a deixar o terreno, a trajetória dos Amarildos passou por terras na Palhoça e no Rio Vermelho, antes de chegar ao terreno atual, em Águas Mornas, na Grande Florianópolis.

Há um ano, eram 80 famílias que chegavam com a esperança de reconstruir sua vida nas terras novas, mas transcorridos 12 meses de resistência sem energia elétrica, além das ameaças regulares, atualmente dez famílias permanecem na Comuna. “A lentidão em providenciar energia elétrica para os assentamentos faz parte do boicote dos políticos locais. Tem assentamentos do MST no interior do estado que estão há cinco anos sem luz”, comenta Pepe Pereira dos Santos, morador da Comuna que acompanha assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) há décadas.

Fernando da Silva Neto é orgulhoso da evolução dos Amarildos no último ano e é ele quem acorda todos os dias às quatro da manhã para fazer fogo no galinheiro e aquecer os pintinhos adquiridos em parceria com a Cáritas, através do Fundo de Iniciativas Comunitárias apoiado pela Misereor. O galinheiro já alimenta a comunidade e aos poucos se consolida para gerar excedentes de comercialização. A chegada da energia elétrica vai ser fundamental nesse processo.  Além dos ovos, os Amarildos já produzem 30 espécies de hortaliças diferentes e até setembro quer colher 10 mil pés de hortaliças.