* Pe. Roque Ademir Favarin


Aconteceu nos dias 12 a 13 de abril, em Buenos Aires, o Encontro de Cáritas e Pastoral Social do Cone Sul em preparação ao 17º Congresso latinoamericano e Caribenho da Cáritas e Pastoral Social, chamado simplesmente de “Argentinito”.  Reuniram-se 32 participantes de Cáritas do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. A Cáritas Chilena não se fez presente em virtude de estar envolvida com ajuda as vítimas do terremoto. Pela Cáritas Brasileira participaram Cristina dos Anjos e Ademar Bertucci (Secretariado Nacional), Ir. Erbênia de Sousa (Diretoria) Patrícia Amorim (Nordeste) Valquíria Smith Lima (Sudeste) e Pe. Roque Favarin (Sul)


Este encontro teve como objetivo avaliar o Plano Zonal e Regional, priorizar temáticas e linhas de ação para o Encontro Continental, a luz da realidade social e política de nossos países e de acordo com nossa identidade e missão. (cf. www.caritaslac.org)

Primeiramente, foi realizada uma breve análise realidade social e política dos países da região com assessoria de Oscar Campana. Destacou que nosso continente tem muitas riquezas naturais, e são cobiçadas pelos mais ricos. “Exemplo disto é o Chile onde tem a maior reserva de lítio, base de toda a indústria informática, além do aqüífero guarani e do nordeste, pré-sal, etc. Mas esta riqueza é para poucos e torna a América latina com maiores índices de desigualdade.” Depois, fez-se uma analise da realidade eclesial na região com Marcelo González. Apontou que no continente o catolicismo perde o monopólio da cosmovisão social e religiosa. “Não podemos mais pensar América Latina só do ponto vista católico. Os símbolos já não são somente católicos. Também o catolicismo assiste junto com outras entidades religiosas, a um processo de desinstitucionalização e destradicionalização. Não aumentou o ateísmo, mas as crenças se organizam não mais pelas instituições tradicionais. A Igreja católica vive um crescimento pluralismo interno, e muitas vezes não consegue ser espaço de comunhão desta diversidade católica.”

Também foi realizado um estudo e aprofundamento da Identidade, Missão e Espiritualidade de Cáritas e da concepção de gênero na Cáritas no continente. A categoria gênero ajuda a perceber a desigualdade entre homens e mulheres. São desigualdades não biológicas, mas, condicionadas pela sociedade, pela história, pelos costumes, pelas representações, pela educação, enfim pelas estruturas sociais. A perspectiva de gênero nos ajuda. A perceber as desigualdades, a mudar situações e atitudes fora e dentro de nós. Aponta-se como desafio a necessidade de incluir espaços de formação/estudos da relação homem-mulher nas comunidades, nos movimentos sociais e nas Cáritas (em seus diversos níveis).

Também fez-se uma partilha do trabalho e planos das Cáritas nacionais. Percebe-se que a maioria se envolve com economia solidária, políticas públicas, fundos solidários e campanhas, agroecologia e agricultura familiar, emergências…

Finalmente, apontou-se sugestões aos planos Zonal e Regional, como diminuir os eixos de atuação e com atividades reduzidas, mas que garantam a execução dos temas transversais, da identidade e da missão. Também vai ser consultada a Cáritas Chilena para coordenar o Cone Sul para o próximo período.  Foram indicados para reeleição, D. Fernando M. Bargalló, da Argentina e Pe. Antonio Sandoval, do México para presidente da Cáritas Regional latinoamericana e coordenador regional, respectivamente.

Apesar de ser um encontro de avaliação, de trabalho e estudo, houve momentos ricos de partilha de experiências, de integração, de vivência, de mística e espiritualidade no sentido de avançar na missão libertadora da Cáritas, com os empobrecidos de nosso continente, tão marcado por exclusões, injustiças e desigualdades sociais

Veja mais em http://www.caritaslac.org

* Secretário da Cáritas Brasileira Regional Santa Catarina