A Cáritas Diocesana de Caçador em parceria com a Coordenação Diocesana de Pastoral, realizou nos dias 18 e 19 de setembro, o primeiro seminário de estudo sobre o tema: Economia Popular Solidária.  O objetivo geral: Desencadear um processo de organização e articulação das iniciativas e empreendimentos de Economia Popular Solidária na região do Contestado, favorecendo as práticas solidárias de desenvolvimento sustentável, buscando outra economia possível. Houve a participação de 30 pessoas as quais representaram a Igreja Católica, Grupos de Economia Popular Solidária, Associações, Instituto Marista, Secretariado Diocesano de Pastoral, Cáritas Diocesana e Cáritas Paroquiais.

Este primeiro seminário teve a assessoria do padre Roque Ademir Favarin, especializado nesta temática. Num primeiro momento, os grupos se reuniram para fazer uma memória da caminhada, resgatando sua origem e a história de sua organização. Neste momento de resgate da história os grupos, também buscaram identificar as ações e sinais de Economia Popular Solidária, fruto das suas lutas e organização. Ao fazerem a partilha das experiências constatou-se que é significativa e profunda a dimensão da solidariedade em todos os grupos, como sinal de modelo solidário de economia essencial à sobrevivência e resistência ao modelo capitalista, concentrador e depredador das riquezas da região.

Através da partilha feita pelos grupos se percebe que famílias, grupos e pessoas estabelecidas na região e em comunidade só permanecem lá por estarem praticando e vivendo a partir do modelo alternativo de Economia Popular e Solidaria. O Modelo capitalista que se instalou e ainda se faz presente não garante estabilidade e a sustentabilidade das condições de vida nem do meio ambiente da região. A este modelo de desenvolvimento interessa somente o lucro, como resultado da exploração das riquezas e da força de trabalho. Para resistir a esse modelo grupos familiares e comunidades, vem desenvolvendo a práticas de EPS, como alternativa econômica de desenvolvimento e sobrevivência e, de permanência na terra.

A luz da experiência dos grupos o padre Roque falou-nos das fases e do processo de desenvolvimento da região iniciado a partir dos anos de 1900, destacando sobre tudo, as lutas e a resistência do povo indígena e caboclo que vivia no local e que levou ao conflito chamado de Guerra do Contestado que tem sua origem nas disputas territoriais chamadas: “Questão do limites” entre Brasil e Argentina e a “Questão de Palmas”  entre os Estados de Santa Catarina e Paraná. Contudo, estes não são os motivos principais da chamada “Guerra do Contestado”.

O conflito teve origem com a expulsão dos caboclos de suas terras, conseqüência da presença e atuação do capital estrangeiro na região, favorecido pelas concessões e apoio militar do governo brasileiro. Estima-se que a exploração das riquezas se deu de modo intenso pelo período de 40 anos período em que foram derrubados mais de 15 milhões de araucárias sem contar as imbuias e outras madeiras nobres abundantes na região. A Lamber além de usar de todo seu potencial também terceirizou a atividade, patrocinando a construção de serrarias ao longo da

ferrovia. Tudo isso serviu para criar a ilusão de que este era mesmo o caminho ou estrada do desenvolvimento. A resistência cabocla, livre desta falsa ilusão desde o inicio da presença do capital estrangeiro com dor r derramando sangue anunciava desde que a herança deste modelo seria a saudade dos mortos, a miséria dos pobres e o grito da natureza destruída.

Essa invasão do modelo capitalista despertou a indignação na população da região por si

gnificar uma ameaça aos seus costumes e especialmente ao modelo de Economia Popular Solidaria já praticado na época.  O modelo imposto com ajuda das estruturas dos governos tanto brasileiro como americano não respeitou a vida do eco-sistema da região. Só pela via da Economia Popular Solidaria, vamos continuar resistindo recuperando o potencial ferido da região do Contestado. Daí a importância de organizar os fóruns e as feiras de EPS na região do Contestado. Na sua fala o padre Roque buscou mostrar que a Economia Popular Solidaria é a alternativa viável e sustentável, que representa não só a resistência e sobrevivência do povo da região, mas também a garantia do resgate e equilíbrio ecológico do eco-sistema que foi imensamente agredido.

No segundo dia de seminário tivemos a assessoria do jovem, Fernando Zamban, que refletiu e debateu com participantes a temática das políticas públicas voltadas para a promoção e desenvolvimento da Economia Popular Solidária no âmbito nacional e estadual.  Destacou a as conquista já alcançadas e da importância das conferencias e fóruns regionais de Economia Popular Solidária no fortalecimento das lutas pela garantia de direitos conquistados e a conquistar, desafiando aos participantes ao serviço engajado e urgente pela organização dos fóruns de EPS na região do Contestado que a tempo vem sendo discutido e ainda não concretizado. Ao final de sua exposição, foi feito alguns encaminhamento que são fundamentais para nossa organização e que aqui apresentamos:

Encaminhamentos:

  • Apoio em vista do fortalecimento das Caritas Diocesana de Caçador, Cáritas de Matos Costa, Cáritas de Iriniópolis, Cáritas de Videira, Cáritas de Três Barras e as ações nos municípios: de L. Regis, Timbó Grande, Fraiburgo e Porto União…
  • Articular a III Feira de Economia Popular Solidaria e o Fórum Regional em parceria com outros grupos e entidades locais que estejam em sintonia co essa luta;
  • Participar das reuniões do Fórum Catarinense de Economia Popular Solidária. 02 pessoas responsáveis;
  • Realizar nas regiões oficinas e encontros para estudar e aprofundar com os grupos empreendimentos e entidades a temática da EPS;
  • Mapeamento das iniciativas e empreendimentos de EPS na região. (Resp. equipe de articulação) com apoios das entidades;
  • Coleta de assinaturas em apoio ao projeto da EPS em tramitação;
  • Reunião da equipe de articulação em 15 de novembro de 2010 nas dissidências da Cúria Diocesana de Caçador;

Por: Moacir da Silva Caetano, presidente da Cáritas Diocesana de Caçador.