No dia 26 de março, foi realizada a audiência pública, no Salão da Igreja na localidade de Bela Vista, em São José do Cerrito/SC, para implantação da Usina Hidrelétrica Garibaldi. A audiência teve como objetivo o debate público sobre os impactos ambientais e socioeconômicos da construção da usina. O encontro contou com a participação de mais de 200 pessoas de várias comunidades atingidas, do Movimento de atingidos por Barragens – MAB, outros movimentos e organizações, representantes de órgãos do poder público e empresas. A coordenação da audiência foi mediada pela FATMA.

Como Dom Hélder Câmara dizia que “missão é partir, caminhar, deixar tudo, sair de si, quebrar a crosta do egoísmo que nos fecha no nosso eu”, a Cáritas e a CPT movidas pela missão de defesa e cuidado da vida, se colocam a serviço das pessoas empobrecidas e, faz isso iluminada pela compreensão de Deus vivenciada pelo povo do êxodo: um Deus parceiro dos pobres, que “vê a miséria do povo por causa de seus opressores, ouve seu clamor,  conhece seu sofrimento e desce para libertar” (Êxodo 3,7-10). Somos chamados e chamadas para viver essa missão!

As empresas ETS e Desenvix apresentaram os estudos realizados de viabilidade ambiental e sócio econômica e as famílias atingidas, lideranças e MAB participaram efetivamente da audiência, posicionando-se contra a instalação da barragem e entregando para as autoridades e empresas, um abaixo assinado com a pauta de reivindicações das comunidades atingidas.

A Cáritas Diocesana de Lages e a Comissão Pastoral da Terra – CPT, posicionaram-se a favor do Movimento dos Atingidos pelas Barragens – MAB e das famílias e comunidades atingidas, lembrando que essa é a missão da Igreja, como bem disse D. Irineu Andreassa quando visitou o acampamento do MAB: “estar junto com as famílias atingidas e suas reivindicações é um modo de a nossa Igreja ser fiel à vocação e missão cristã e ao Evangelho de Jesus Cristo”.

“É nossa missão estar presente em situações bem concretas de enfrentamento e luta por justiça e direitos, fortalecendo a construção e conquista de um projeto de sociedade, em que todas as pessoas vivam com liberdade e dignidade, participando das decisões políticas que dizem respeito à vida de todas as pessoas, contrapondo ao sistema capitalista neoliberal que domina e explora” afirma Alzira Machado, da Comissão Pastoral da Terra.

Tanto Cáritas quanto CPT reafirmam que são contra o projeto das barragens pelo fato de ser gerador de desenvolvimento e lucro especialmente para grandes empresas, alimentando o sistema capitalista, negando ao povo o direito de participar e usufruir dos benefícios. Para o povo, as barragens têm gerado muita tristeza, insegurança, êxodo. De cada dez famílias atingidas no Brasil até agora, sete ainda não foram indenizada.

Assim, as construções das barragens servem ao sistema capitalista, causando graves problemas ambientais, ecológicos, humanos. Os problemas ecológicos estão cada vez mais próximos de nossa “casa” e que não dependem de uma simples solução técnica, mas reclamam de uma resposta ética, que requer uma mudança de paradigma na vida pessoal, na convivência social, na produção de bens de consumo e principalmente no relacionamento com a natureza.

Alzira Machado – CPT

Jamile Yared – Cáritas Diocesana de Lages