Durante os dias 7 e 8 de agosto, mais de 60 agentes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, estados que compõe o Inter-regional Sul da Cáritas Brasileira, estiveram reunidos em Porto Alegre para o InterSul, encontro que acontece anualmente. O tema deste ano, demanda do último congresso nacional, foi “Os desafios do mundo urbano” e os caminhos que a entidade pode trilhar para construir e ampliar seu trabalho social neste meio. Além disso, o momento foi de avaliação das atividades já realizadas, em vista do planejamento de trabalho do quadrienal (2012-2015).

Inicialmente, cada estado apresentou uma experiencia de trabalho para ser debatida e aprofundada pelos agentes. Para ajudar no debate sobre o tema, o professor de antropologia da Unisinos e especialista no assunto, José Rogério Lopes, complementou as discussões e fez algumas indicações de como se trabalhar com esse meio que, segundo ele, excluí cada vez mais pessoas de ter acesso aos seus direitos. “O desenvolvimento das cidades é baseado no consumo e não na sustentabilidade, quem não tem o poder de consumo é excluído de muitos direitos e isso pode ser visto claramente na organização geográfica das cidades”, explicou.

Lopes afirmou que é possível construir uma vida comunitária no mundo urbano. “A grande estrategia que precisa ser feita é juntar as segmentação que são fruto do crescimento urbano, em um único propósito, que é a luta por uma sociedade igualitária. Entidades como a Cáritas precisam ser sementeiras dessa proposta, nas regiões urbanas”, afirmou ele. “Nos debates feitos pela Cáritas Brasileira, constatamos que é possível com outros modos, com outras realidades construir uma vida comunitária no mundo urbano”, reafirmou o assessor da Cáritas Brasileira, Luiz Claudio Lopes Silva.

Segundo ele, a distribuição desigual dos benefícios e dos malefícios do modelo capitalista, caraterizou e criou áreas como a de inovação (Europa), semi-periferias (Brasil e México) e periferias (África e Andes). O papel das organizações populares é de reorganizar a vida urbana a partir da compreensão do espaço e de território, de forma sustentável, quebrando a visão de assistencialismo para criar a de acesso aos direitos.

Questões como avaliação das atividades realizadas no primeiro semestre de 2012, na perspectiva de conhecer a ação e realidade da Cáritas nos três estados e as atividades pensadas para o trabalho com a juventude também foram discutidas no encontro.

O INTERSUL TAMBÉM FOI UM MOMENTO DE TROCAR EXPERIENCIAS

Como parte dos trabalhos sobre o tema “Os desafios do mundo urbano”, foram apresentadas três experiencias realizadas pelas Cáritas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

A Cáritas Diocesana de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, apresentou o Projeto Reciclando Ideias e Práticas, realizada no bairro Hamburgo Velho. Segundo o coordenador da Cáritas de Novo Hamburgo, Claudio Roberto Schab, o projeto envolve atividades como produção de sabão, costura e confeitaria. “O projeto traz para a os moradores, cursos de culinária, informática, realiza basares e trabalha com confecção de vários produtos que são comercializados por eles. O trabalho já tem 11 anos e conta com inúmeros voluntários” destacou. Hoje, são em torno de 65 famílias cadastradas.

A Cáritas Diocesana de Ponta Grossa, no Paraná, falou sobre a Farmácia da Partilha, que atende gratuitamente pessoas de baixa renda, com medicamentos. Muitos destes medicamentos são doados por pessoas e outros fazem parte da Relação Municipal de Medicamentos (REMUME) que são fornecidos gratuitamente nas Unidades de Saúde do Município. “Os medicamentos são doados pela comunidade e campanhas de arrecadação, na Farmácia da Partilha eles são separados para a doação. Eles só são entregues a população, mediante apresentação da prescrição médica”, explicou a assistente social, Erica Francine Pilarski Clarindo.

Em Criciúma, Santa Catarina, a Cáritas diocesana desenvolve o Fórum Municipal Lixo e Cidadania. Criado em 2009, ele surgiu da necessidade da discussão da Coleta Seletiva sobre o assunto “lixo” e é um dos instrumentos de conscientização, articulação, e fiscalização da gestão de resíduos sólidos no município de Criciúma. Para o secretário da Cáritas de Santa Catarina, Padre Roque Ademir Favarin, o Fórum é um importante espaço de discussão entre a sociedade civil e poder público, onde têm espaço, vez e voz os trabalhadores de materiais recicláveis: catadores e triadores, carroceiros, artesãos, dentre outros que têm o material reciclável como fonte de trabalho e renda.

Por Bruna Garbin, assessora de comunicação da Cáritas Brasileira Regional Rio Grande do Sul.